Levantamentos do Datafolha e do instituto Quaest, realizados na segunda quinzena de agosto, colocam ao menos 24 candidatos do PL como competitivos na corrida por vagas no Senado — em disputa estão 54 assentos. O desempenho dá ao partido a perspectiva concreta de aumentar sua bancada e, com isso, ganhar influência suficiente para empurrar pautas caras à direita bolsonarista, entre elas o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Quatro nomes do PL aparecem na liderança isolada pela primeira vaga em seus estados: Michelle Bolsonaro (DF), Reinaldo Azambuja (MS), Eduardo Gomes (TO) e Fernando Máximo (RO). Outros 20 postulantes surgem em condições de disputar a segunda vaga, muitos em empate técnico. As pesquisas combinadas cobriram sete estados pelo Datafolha e 20 pelo Quaest, e registram um retrato do momento inicial da campanha — voto ao Senado tende a oscilar e historicamente tem altos índices de votos inválidos.
A ofensiva contra o STF recebeu novo ímpeto após a divulgação de detalhes sobre conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Candidatos do PL e aliados passaram a defender abertamente afastamento de Moraes por impeachment ou renúncia e a instalação de CPIs para apurar os fatos. Para tirar um ministro do STF é necessária a maioria simples de 41 senadores — e a decisão de pautar o tema depende também da presidência do Senado, outro objetivo estratégico do PL.
A tarefa, porém, não é trivial. O partido lançou 33 candidatos em 25 unidades da federação e hoje tem 15 senadores — com potencial teórico de chegar a 34 caso confirme todas as lideranças. A competição será acirrada em estados-chave, onde o PL disputa duas vagas e enfrenta candidatos ligados a Flávio Bolsonaro, ao presidente Lula e concorrentes regionais independentes. Se confirmadas no pleito, as vitórias do PL teriam impacto institucional e político direto: ampliariam a pressão sobre o Judiciário, alterariam o equilíbrio no Senado e forçariam a montagem de alianças para pautas polêmicas.