Uma nova rodada do Datafolha, divulgada na sexta-feira, confirmou um quadro de estabilidade na corrida presidencial antes do início formal da campanha. Segundo o instituto, Lula registra 40% das intenções de voto no primeiro turno contra 32% de Flávio Bolsonaro; em um eventual segundo turno, o petista aparece com 48% ante 43% do senador. O levantamento, feito com 2.004 eleitores entre 22 e 23 de julho em 139 cidades, tem margem de erro de dois pontos e foi registrado no TSE (BR-01166/2026).
O resultado preserva a vantagem de Lula em relação aos levantamentos de maio e junho, e traz outro dado relevante: pela primeira vez no ano a avaliação positiva do governo supera numericamente a negativa (49% a 48%). Para o centro político, esse equilíbrio nas avaliações indica resiliência momentânea do governo, mas não dispensa atenção à volatilidade que pode surgir quando a disputa entrar em maior intensidade.
Os atos partidários do fim de semana ilustraram as dificuldades que cercam a direita: a convenção do PL oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro em um cenário de isolamento interno, sem vice anunciado e com aparições discretas de aliados; Michelle Bolsonaro compareceu apenas por vídeo. Uma fala de Javier Milei no evento também tensionou relação diplomática, segundo relatos, ampliando ruído externo à campanha. No mesmo período, Ronaldo Caiado tentou se posicionar como alternativa de terceira via, criticando tanto Lula quanto Flávio, na tentativa de ocupar espaço entre eleitores insatisfeitos com os extremos.
A leitura política dos números — tema do episódio do podcast analisado pelo time da Folha — aponta dois efeitos conectados: a vantagem estável de Lula oferece pouco espaço para que opositores relaxem, e a fragmentação do campo anti‑petista, entre candidatura bolsonarista e movimentos de centro‑direita, aumenta o custo político de uma estratégia de tiros isolados. Para virar esse quadro será necessário articular coligações mais amplas, reduzir ruídos e traduzir intenção em amplitudes eleitorais reais, tarefa que se anuncia complicada diante das resistências internas e das crises já acumuladas por alguns nomes da direita.