A Nasa escolheu o nome Artemis para seu programa lunar por uma razão direta: na mitologia grega, Artemis é a deusa da Lua. A Artemis 2, que decolou na última quarta-feira (1º) de Cabo Canaveral, é a segunda missão do programa e pode levar astronautas a sobrevoar o satélite e alcançar o ponto mais distante já visitado por humanos.

O numeral no nome identifica cada missão: a primeira viagem não tripulada ocorreu em 2022, com a cápsula Orion circulando a Lua, e a Artemis 4, prevista para 2028, tem no plano o retorno humano ao solo lunar. A agência define a deusa como uma personificação do “caminho até a Lua”, aludindo ao objetivo de retomar exploração científica e tecnológica na superfície lunar.

Artemis é a deusa da Lua, segundo a Nasa.

A cápsula Orion também tem raiz mitológica: Orion era um gigante caçador associado a Artemis. Para a Artemis 2, a tripulação batizou a nave de Integrity, palavra que, segundo os próprios astronautas, simboliza confiança, respeito, franqueza e humildade entre eles e as equipes envolvidas — uma escolha que busca traduzir o perfil da missão.

A referência mitológica não é novidade na história das agências espaciais: programas como Apollo (também mitologia grega) e Gemini, além de missões com nomes como Osiris e Kaguya, mostram que batizar voos e sondas com figuras lendárias virou prática rotineira. Os nomes ajudam a construir narrativa pública, mas também carregam simbolismo sobre objetivos e prioridades.

Há uma leitura política e cultural sutil nessa escolha: enquanto as missões Apollo levaram 24 pessoas às redondezas da Lua entre 1968 e 1972 — metade pousou e eram todos homens, na sua maioria nascidos nos EUA — o novo programa, simbolicamente, insere a figura feminina de Artemis no centro da narrativa de retorno. Resta ver se essa mudança simbólica se traduzirá em ações concretas de inclusão e em resultados científicos à altura das promessas.

Integrity representa a base de confiança, respeito, franqueza e humildade entre a tripulação.