O Centro Universitário Belas Artes e a Legend Capital lançaram uma pós-graduação em Autonomia Financeira Feminina com o objetivo explícito de enfrentar um problema estrutural: mesmo mulheres com independência econômica e posições executivas frequentemente delegam decisões financeiras a homens — maridos, pais ou consultores. A iniciativa quer oferecer ferramentas práticas para que mulheres assumam controle do patrimônio, das negociações bancárias e das estratégias de investimento no dia a dia e nas empresas que dirigem.

A proposta pedagógica articula finanças pessoais e empresariais com temas de liderança, comportamento e empreendedorismo, organizados em trilhas voltadas para uso imediato. Segundo as idealizadoras, a dificuldade não é falta de capacidade, mas o afastamento histórico da linguagem financeira da experiência feminina. O programa busca, portanto, eliminar barreiras simbólicas e técnicas que intimidam e afastam mulheres desse campo.

O lançamento apoia‑se também em dados que apontam risco real: levantamento do Insured Retirement Institute indica que cerca de 70% das mulheres trocam de consultor financeiro no primeiro ano após a perda do parceiro — um momento em que muitas precisam tomar decisões para as quais não foram preparadas. Daniella Marques, da Legend Capital e ex‑presidente da Caixa, defende que o letramento financeiro é ferramenta central para reduzir vulnerabilidades e ampliar segurança econômica.

A iniciativa encontra terreno fértil num mercado e numa sociedade que ainda reproduzem desigualdades de gênero na esfera financeira. Ao mesmo tempo, sua eficácia dependerá do alcance — custo, escala e inclusão digital são limites potenciais — e da articulação com políticas públicas que promovam educação financeira ao longo da vida. Em termos políticos e econômicos, programas como este expõem tanto uma oportunidade de mercado quanto uma falha persistente nas redes de proteção e nas práticas educativas que, se não corrigidas, mantêm parcelas da população expostas a riscos evitáveis.