O preço do petróleo registrou queda nesta terça-feira (14) e deixou para trás a ameaça imediata de superar US$ 100 o barril. O Brent chegou a marcar US$ 99,41 nas primeiras horas de negociação (3h45, horário de Brasília) e, ao final do dia, estabilizou em torno de US$ 95,34, uma retração próxima de 4% em relação ao pregão anterior, quando fechou perto de US$ 98.
O movimento foi acompanhado por alta das bolsas: nos EUA, índices como Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq avançaram diante de maior apetite por risco. O principal gatilho para a mudança de humor foi a expectativa de retomada de negociações entre Washington e Teerã — equipes dos dois países devem voltar a se reunir no Paquistão —, fato que alivia, no curto prazo, o temor de interrupções duradouras no fluxo de petróleo.
Analistas, porém, advertem que o mercado pode estar precificando esperança em vez de resolução. Estratégias de investidores seguem sensíveis a manchetes e a pesquisas de sentimento mostram pessimismo entre gestores, embora esse receio agora divida espaço com a expectativa de que um cessar-fogo reduza o preço do barril a níveis muito inferiores aos atuais. O WTI, referência dos EUA, também recuou e era cotado perto de US$ 91,49 no fechamento consultado.
Do ponto de vista econômico, a queda dos preços de energia tende a aliviar pressões inflacionárias e reduzir o risco de aperto ainda maior na política monetária global, mas a leitura política é dupla: a retomada de diálogo diminui o prêmio por risco no curto prazo, ao mesmo tempo em que mantém as autoridades sob a necessidade de demonstrar progresso concreto. Em suma, os mercados celebram a abertura diplomática, mas permanência de volatilidade e sensibilidade a novas notícias mantêm o cenário de risco elevado.