O preço do petróleo voltou a disparar nesta quinta-feira, em meio a uma nova escalada de tensões no Oriente Médio. O barril Brent atingiu máxima intradiária de US$ 107,37 — alta de cerca de 5,35% — e encerrou a sessão em US$ 106,01, com variação diária de +4,02%. O WTI também registrou forte avanço, chegando a US$ 98,40 na máxima e fechando perto de US$ 97, um movimento amplificado pelo temor de interrupções na oferta.

O repique nos preços acompanha relatos de explosões em Teerã e ativações de defesa antiaérea, segundo agências iranianas, além de medidas concretas que afetam o tráfego marítimo: a Guarda Revolucionária reteve dois petroleiros e o Irã começou a cobrar um pedágio pela passagem no estreito. Do lado norte-americano, houve movimentação naval e ordens para afastar embarcações suspeitas, em um cenário que mantém a principal rota de exportação de hidrocarbonetos com fluxo muito reduzido.

Dados de navegação citados pela Kpler ilustram o impacto: entre domingo e quarta-feira passaram apenas 18 navios por Hormuz (média de 4,5 por dia), contra 9 por dia no período entre 1º de março e 17 de abril e cerca de 140 diárias antes do conflito. A consequência imediata é o repasse do risco para os mercados de energia, com investidores precificando uma oferta mais apertada e mais volatilidade nas cotações.

O efeito transmissor já se fez sentir nas praças financeiras da Ásia, com quedas generalizadas em bolsas regionais. Para a economia global, a alta tem implicações claras: pressão adicional sobre preços ao consumidor e custos industriais, desafio para bancos centrais que tentam controlar a inflação e potencial aumento de despesas fiscais caso governos optem por subsídios temporários. Politicamente, a escalada complica a capacidade de governantes de conter impactos domésticos de uma alta de energia.