A Prefeitura de São Paulo acusa o governo federal de travar a expansão da Faixa Azul para motocicletas, alegando que a ausência de aval da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) impede a entrega de 80 km de novos corredores exclusivos. A gestão de Ricardo Nunes afirma ter cumprido as exigências e enviado relatórios trimestrais sobre os trechos em operação, sem obter retorno para seguir com a sinalização.
Segundo a prefeitura, foram apresentados 46 relatórios e um balanço consolidado entregue em dezembro de 2025. A administração municipal diz que as liberações federais pararam em março de 2024 — período em que foram autorizados 28 trechos — e que a paralisação, na avaliação local, tem afetado a implementação e a expansão do projeto experimental.
A Senatran, por sua vez, rebate e afirma que os relatórios enviados têm falhas técnicas que precisam ser corrigidas. O secretário nacional de Trânsito, Adrualdo Catão, afirmou que são necessárias informações e análises complementares para permitir uma avaliação segura da efetividade da sinalização e anunciou um novo prazo para a conclusão dos estudos. O governo federal diz ainda estar preocupado com o número de mortes no trânsito.
O impasse tem dupla implicação: além do impacto direto na implementação de 80 km previstos, cria pressão política sobre a prefeitura e o Palácio do Planalto — que terão de justificar técnica e politicamente a decisão. A Senatran promete avaliar a prorrogação do caráter experimental até o fim de maio; até lá, a falta de acordo mantém em suspenso um programa que, segundo a administração municipal, já dispõe de vasta documentação.