A Polícia Federal informou que a prisão de Alexandre Ramagem pelo serviço de imigração dos Estados Unidos (ICE) decorreu de “cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado”. Segundo a PF, Ramagem foi detido em Orlando; o site do Departamento de Segurança Interna dos EUA registra o nome com a situação “sob custódia do ICE”, sem detalhar o local exato do cárcere.
Ramagem é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação do Supremo Tribunal Federal a 16 anos, 1 mês e 15 dias por organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Em setembro do ano passado ele deixou o país; perdeu o mandato parlamentar em dezembro de 2025 e, como delegado de carreira da Polícia Federal, foi posteriormente demitido. Em fevereiro, prestou depoimento por videoconferência ao STF no processo sobre a trama golpista.
Relatos oficiais e reportagens indicam que o ex-deputado saiu do Brasil pela fronteira com a Guiana embarcando para os Estados Unidos com um passaporte diplomático que não estava apreendido. O nome de Ramagem também consta da lista de procurados da Interpol. O governo brasileiro, por meio da Embaixada em Washington, entregou ao Departamento de Estado, no fim de dezembro de 2025, o pedido formal de extradição.
Além de consolidar a dimensão internacional da operação, a detenção expõe questões práticas e políticas: o uso de passaporte diplomático e as falhas na fiscalização de fronteiras voltam a ser alvo de questionamento, e a captura tende a acelerar a fase prática do pedido de extradição. Politicamente, o episódio representa mais um fator de desgaste para o entorno político associado ao ex-governo em que Ramagem ocupou a direção da Abin e reforça a pressão por respostas institucionais sobre como o caso foi conduzido.