Relatório da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) revela mudança relevante no perfil do mercado: entre 2018 e 2024 o número de cirurgias plásticas realizadas em homens subiu de 1,4 milhão para 2,8 milhões, crescimento de 95,7%. Nos procedimentos não cirúrgicos — aplicações de toxina botulínica, preenchimentos, remoção de pelos e outros — a alta foi ainda maior, de 1,5 milhão para 3,2 milhões, avanço de 116,6%.

A ISAPS estima que hoje os homens representam entre 15% e 20% do total mundial de procedimentos estéticos. Entre as cirurgias mais procuradas por pacientes do sexo masculino em 2024 aparecem blefaroplastia, correção de ginecomastia, redução de cicatrizes, lipoaspiração e rinoplastia. No segmento não cirúrgico, a toxina botulínica lidera, seguida por ácido hialurônico e técnicas de rejuvenescimento.

Para efeito de comparação, entre as mulheres os procedimentos cirúrgicos cresceram 59,2% no período (de 9,1 milhões para 14,6 milhões) e os não cirúrgicos 54,8% (de 11,1 milhões para 17,2 milhões). O Brasil foi apontado pela ISAPS como o país com maior número de cirurgias em 2024, com cerca de 2,3 milhões de intervenções; somando os procedimentos não cirúrgicos, o total brasileiro alcançou cerca de 3,1 milhões naquele ano.

Médicos ouvidos relatam redução do estigma e mudança na comunicação das clínicas: hoje é comum tratar o público sem distinção de gênero. Cirurgiões apontam que técnicas menos invasivas e recuperação mais rápida ajudaram a normalizar a procura masculina, que em alguns consultórios já corresponde a cerca de 30% da clientela. O fenômeno altera o mercado de estética e força a adaptação de atendimento, marketing e oferta de serviços.