A cúpula do PT decidiu transformar o anúncio das novas tarifas americanas contra produtos brasileiros em um tema central de ataque contra Flávio Bolsonaro. Nos bastidores, o partido reforça o uso do neologismo 'tariflávio' e a narrativa que busca vincular o senador à decisão de Washington, estratégia que já começou a ser testada nas redes e em notas oficiais.
O impulso para a ofensiva veio da última pesquisa Quaest, que mostra aumento da rejeição a Flávio entre quem o conhece: o percentual que diz não votar nele subiu de 52% em abril para 57% em julho, variação acima da margem de erro (2 pontos). No mesmo período, a rejeição a Lula caiu de 55% para 50%. Dirigentes petistas interpretam o efeito como sinal de desgaste acumulado, com o tarifaço como um dos elementos que pesam contra o senador.
O contexto é claro: a gestão Trump abriu investigação sobre práticas comerciais brasileiras e culminou na imposição de sobretaxas, movimento que no entorno de Lula foi encarado como deliberado. Flávio tentou neutralizar o impacto político ao pedir a autoridades americanas o adiamento da decisão para depois das eleições, argumento que não impediu o PT de explorar a associação entre o bolsonarismo e a administração Trump.
A estratégia petista também se apoia em outros episódios que, na avaliação do partido, ajudam a corroer a imagem do senador — entre eles, o caso 'Dark Horse', envolvendo pedido de recursos para filmagem sobre Jair Bolsonaro, e o vídeo em que Michelle Bolsonaro o critica publicamente. Na visão do PT, esses temas compõem um pacote que amplia a narrativa de perda de confiança no nome da família Bolsonaro.
Politicamente, a ofensiva tem dupla intenção: consolidar o tema do nacionalismo econômico que beneficiou Lula em 2025 — usado para rebater críticas sobre a gestão — e empurrar Flávio para a defensiva numa campanha que promete explorar afinidades entre o bolsonarismo e Trump. Para o senador, o desafio é minimizar o custo eleitoral do tarifaço sem conceder terreno que legitime o rótulo que o PT pretende fixar.