A nova pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira (25) coloca o ex-prefeito de Mossoró Allysson Bezerra (União Brasil) na liderança da disputa pelo governo do Rio Grande do Norte, com 39% das intenções de voto no primeiro turno. O levantamento, encomendado pela TV Cabugi e registrado no TSE (RN-01492/2026), entrevistou 804 eleitores em entrevistas domiciliares entre 21 e 24 de setembro, com margem de erro máxima de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Na sequência aparecem Cadu de Lula (PT), com 21%, e Álvaro Dias (PL), com 18%.

O resultado marca um salto relevante de Allysson em relação à rodada anterior da Quaest, de 24 de agosto, quando ele somava 25% — uma oscilação que supera a margem de erro e sugere movimento de voto. Cadu manteve-se em 21% na comparação entre as duas pesquisas, e Álvaro registrou pequena queda (de 19% para 18%). Na sondagem espontânea, sem os nomes apresentados, Allysson aparece com 29%, enquanto Álvaro e Cadu marcam 11% cada; 43% não souberam indicar candidato. Votos brancos, nulos e quem diz que não vai votar somam 11%, e os indecisos estão em 10% — ou seja, cerca de 21% do eleitorado segue aberto.

Nos cenários de segundo turno, Allysson venceria tanto Cadu de Lula (50% a 30%) quanto Álvaro Dias (49% a 27%). Já o confronto entre Cadu e Álvaro aparece tecnicamente empatado: 39% a 37% para o candidato do PT, dentro da margem de erro. Esses cruzamentos reforçam a ideia de que o crescimento de Allysson o transforma em oponente com vantagem num eventual desfecho em dois turnos, ao mesmo tempo em que deixam claro que a disputa não está definida, dado o percentual elevado de eleitores ainda não alocados.

Politicamente, a escalada de Allysson acende um sinal de alerta para o PT e para as estruturas que deram sustentação à gestão estadual nos últimos anos. Cadu, que deixou a secretaria da Fazenda no governo de Fátima Bezerra para disputar o cargo, conserva base estável, mas a incapacidade de avançar enquanto um terceiro candidato consolida apoio implica necessidade de revisão de estratégia. Do lado do PL, a transferência de Álvaro para o partido e sua associação pública com lideranças nacionais ainda não se refletiram em crescimento expressivo.

A pesquisa expõe também uma janela de possibilidade: com mais de um quinto do eleitorado entre indecisos e votos inválidos, há margem para mudanças nos próximos meses. As campanhas terão de transformar tendência em estrutura orgânica nas urnas — batalha que depende de recursos, articulação regional e capacidade de traduzir a liderança nas intenções em presença concreta em municípios-chave. Para aliados e adversários, o recado é claro: o quadro estadual ficou mais volátil e exige reação rápida e ajustes táticos.