A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta confirma, no curto prazo, um cenário mais confortável para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: 40% das intenções no primeiro turno e vantagem de oito pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro em simulação de segundo turno (45% a 37%). Os números mostram avanço do petista em relação a levantamentos recentes, ainda que a oscilação esteja dentro da margem de erro máxima estimada em cerca de dois pontos percentuais. A sondagem ouviu 2.004 eleitores entre 10 e 13 de julho, com nível de confiança de 95%.

Além das posições de intenção de voto, o levantamento traz sinais políticos relevantes: a avaliação positiva do governo subiu e atingiu o maior patamar desde o início da série em julho de 2025, enquanto a negativa recuou — hoje as avaliações positiva e negativa estão empatadas em 36%, com 26% considerando a gestão regular. A rejeição também revela pressões distintas: Lula tem 50% de eleitores que dizem não votar nele, em trajetória de queda; Flávio aparece com rejeição de 57%, em viés de alta. No primeiro turno, indecisos somam 11% e brancos, nulos ou abstenções 8%; no segundo turno, brancos/nulos e ausentes chegam a 14% e indecisos a 4%.

O contexto político que envolve o núcleo bolsonarista aparece como pano de fundo das dificuldades do senador. O conflito exposto com Michelle Bolsonaro e a leitura pública de uma carta de Jair Bolsonaro reafirmando apoio ao filho, somados à proibição de visitas de Flávio a Jair decretada pelo ministro Alexandre de Moraes por descumprimento de medida cautelar, ampliam ruídos em uma base que já enfrenta desgaste. Esses episódios oferecem explicação parcial para a elevação da rejeição do candidato do PL e acendem um sinal de alerta para a campanha que precisa conter desgaste, recompor imagem e ampliar palanque além do núcleo familiar.

Do lado da chamada direita não bolsonarista, os índices de desconhecimento são altos, o que mantém espaço político incerto: 44% não conhecem Ronaldo Caiado, 50% desconhecem Romeu Zema e 77% desconhecem Renan Santos no teste da Quaest. Caiado e Zema aparecem com intenção de voto residual no primeiro turno (4% e 2%, respectivamente) e não representam, no momento, alternativa capaz de reverter a liderança de Lula. Em síntese, o levantamento funciona como retrato do momento: confirma vantagem do presidente, revela fragilidades do candidato do PL e força uma reflexão estratégica imediata entre aliados e adversários, sem, contudo, configurar uma previsão definitiva sobre o desfecho eleitoral.