A pesquisa nacional Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 37% das intenções de voto no primeiro turno e o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 30%. O escritor Augusto Cury (Avante) aparece em terceiro, com 10%. É o primeiro levantamento do instituto após o início oficial da campanha, e o quadro indica uma certa estabilidade em relação ao levantamento de 14 de agosto — quando Lula tinha 38% e Flávio 31% —, mas com sinais de volatilidade.
O instituto ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais presencialmente, entre domingo (30) e terça (1.º), com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Na simulação de segundo turno, Lula fica com 42% contra 41% de Flávio, situação classificada como empate técnico. O levantamento também mostra vantagens do presidente sobre outros pré-candidatos testados, mas a leitura imediata é de um cenário competitivo em que pequenas oscilações podem alterar o quadro.
A ascensão de Augusto Cury merece destaque: avanços recentes em outras sondagens e um crescimento voraz nas redes — cerca de 2,5 milhões de novos seguidores em duas semanas, segundo o Instituto Democracia em Xeque — o colocam como fator de instabilidade para as duas pontas do espectro. Acusações de uso pago de influenciadores foram negadas pelo marqueteiro de Cury, Sergio Lima. A própria comparabilidade entre rodadas da Quaest ficou comprometida pela substituição de Leonardo Avalanche (PRTB) por Pablo Marçal, que aparece com 1% mesmo sendo, na prática, inelegível até 2032; Marçal obteve liminar para filiação e registro, mas o caso deverá passar pelo TSE e, segundo magistrados ouvidos pela imprensa, tende a ser rejeitado.
Politicamente, o retrato é preocupante para quem governa e para a oposição: para Lula, a liderança está preservada, mas o empate técnico no segundo turno e as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva representam focos de desgaste que exigem gestão de imagem e agenda. Para Flávio Bolsonaro, a consolidação próxima dos 30% confirma força eleitoral, porém insuficiente para distanciar-se com a atual dispersão do eleitorado; já o avanço de terceiros candidatos aponta para um processo competitivo e sujeito a surpresas. Com 11% de indecisos e 7% declarando voto em branco, nulo ou abstenção, o espaço de definição permanece aberto — e a margem de erro transforma pequenas mudanças em sinais politicamente relevantes. A pesquisa está registrada no TSE sob o código BR-07065/2026.