A pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira mostra um cenário apertado: no primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 37% das intenções de voto contra 33% de Flávio Bolsonaro (PL). No confronto direto, o levantamento registra empate técnico — Flávio tem 42% e Lula 41% — dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O instituto ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre quinta (17) e domingo (20); a pesquisa foi encomendada pela Globo e pelo jornal O Globo e está registrada no TSE sob o código BR-06004/2026.

Os números refletem uma oscilação pequena em relação à rodada anterior — Lula subiu um ponto e Flávio subiu dois —, mas o sinal político é claro: a disputa está muito mais calibrada que há algumas semanas e o discurso do voto útil ganha força na reta final. A pesquisa acende alerta para a campanha do atual presidente, porque o empate técnico no segundo turno expõe a dificuldade em ampliar além da base. Ao mesmo tempo, a alta rejeição de ambos (Flávio 56% e Lula 55%) define um teto que pode tornar decisiva a batalha por eleitores de terceira via e indecisos.

O levantamento também mostra que nomes nanicos seguem com desempenho limitado: Augusto Cury (Avante) tem 6%, Ronaldo Caiado (PSD) 4%, Renan Santos (Missão) 3% e Romeu Zema (Novo) 1%. Brancos, nulos e não vão às urnas somam 7% e 8% dizem estar indecisos. A Folha apontou que conteúdos favoráveis a Cury vêm sendo impulsionados por terceiros nas redes, prática vedada pela legislação eleitoral, o que coloca um ponto de atenção sobre a origem de eventual crescimento momentâneo. Candidaturas barradas pelo TSE, como a de Pablo Marçal, e substituições recentes também aparecem sem impacto relevante: o nome anunciado pelo PRTB registra 0%.

Além do jogo de intenções, o levantamento traz indicadores institucionais que contam politicamente: a avaliação do governo mostra 50% de desaprovação e 44% de aprovação. Este quadro, somado ao alto índice de rejeição dos líderes, complica a narrativa oficial e amplia o desafio de converter avaliação de gestão em votos. É preciso considerar ainda o contexto: é a primeira pesquisa Quaest após a sessão do STF que discutiu a relação entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, episódio que marcou um novo momento de tensão institucional. Para Lula, a conclusão é prática: manter base não será suficiente — será necessário reduzir rejeição, ampliar palanque e disputar ativamente o eleitor moderado e os indecisos. Para Flávio, o teste é transformar a pressão do voto útil em coalizão real para o segundo turno.