A pesquisa Quaest, feita entre 10 e 13 de abril e registrada sob BR-09285/2026, coloca o presidente Lula como favorito na percepção do eleitorado: 48% dos entrevistados afirmam que, se a eleição fosse hoje, ele venceria. Flávio Bolsonaro aparece como aposta de vitória para 32% e Ronaldo Caiado para 2%. O dado confirma que, mesmo diante de uma queda contínua na popularidade desde o fim do ano passado e de sondagens que indicam empate técnico em um eventual segundo turno, o petista mantém vantagem na percepção de competitividade nacional — uma variável relevante para a dinâmica eleitoral e para a formação de narrativas políticas.
O recorte regional e por religião mostra, porém, pontos sensíveis. Lula é apontado como provável vencedor na maioria das regiões, com exceção do Sul, onde 34% o veem como futuro vencedor contra 38% que apostam em Flávio Bolsonaro. Na divisão religiosa, 54% dos católicos acreditam na reeleição do petista, enquanto entre evangélicos prevalece a aposta em Flávio (44%) sobre Lula (37%). O levantamento também evidencia a forte concentração de convicção entre apoiadores declarados: 93% dos que se dizem lulistas creem na reeleição do presidente, e 80% dos bolsonaristas acreditam que Flávio venceria — indicadores de elevada polarização e de baixa volatilidade dentro das bases.
Do ponto de vista político, o resultado tem dupla leitura. Por um lado, ser visto como favorito reforça a narrativa de viabilidade e pode atrair ganhos simbólicos em termos de apoio de indecisos, do mercado e de potenciais aliados. Por outro, a presença de bolsões de resistência — especialmente no Sul e entre evangélicos — revela limites que transformam a vantagem em uma margem frágil: trata-se de um retrato do instante, não de uma previsão imutável. A tendência de queda na avaliação do governo intensifica o risco de que a percepção de favoritismo se corroa caso não haja reação em áreas sensíveis, o que obrigará a campanha governista a priorizar mensagens e política econômica que revertam a perda de apoio.
Na prática, os números acendem alertas concretos para 2026: exigem resposta rápida da base aliada, esforço de reconciliação com segmentos religiosos e regionais e cuidado com a agenda econômica para evitar que a vantagem percebida se transforme em vantagem real nas urnas. Para a oposição, as divisões apontadas pela Quaest oferecem mapa de oportunidade — sobretudo na mobilização de evangélicos e eleitores do Sul. Em termos institucionais, a pesquisa funciona como termômetro do momento político: indica força relativa, mas também expõe fragilidades que podem ser exploradas em campanha e em disputas por coalizões.