Trocar o tênis de corrida nem sempre é simples: há apego, custo e dúvidas sobre quando o desgaste começa a prejudicar de fato. A referência mais citada por especialistas varia entre 480 km e 800 km, mas esse intervalo funciona apenas como orientação. Pesquisadores reconhecem que existe um ponto em que o calçado perde propriedades importantes — sobretudo o amortecimento — e que a substituição deve ocorrer antes que a corrida se torne desconfortável.

Vários fatores aceleram ou retardam esse desgaste: idade do calçado, peso do corredor, tipo de superfície, clima e o uso do tênis para atividades além da corrida. Além disso, modelos de competição com espumas leves e volumosas costumam degradar-se mais rápido que tênis de treino, sacrificando durabilidade por desempenho. Especialistas em medicina esportiva e biomecânica alertam que o desgaste não é homogêneo entre marcas e modelos.

Há sinais objetivos que não devem ser ignorados: a espuma do entressolo aparente mais comprimida ou enrugada, áreas do solado com perda de tração e desgaste assimétrico quando há pronação ou supinação do pé. Corredores também relatam sensação de tênis “morto” — menos elástico e confortável — e, em pés largos, a parte superior pode começar a ceder, expondo os dedos. Um estudo que comparou corrida com calçados novos e com cerca de 320 km mostrou pequenas alterações na mecânica da passada; embora a ligação direta com lesões ainda não seja definitiva, a tendência é perder conforto e alterar o gesto de corrida.

Na prática, use a quilometragem de 480–800 km como parâmetro, registre o uso com aplicativos como Strava se preferir e, sobretudo, observe os sinais: desconforto persistente, desgaste visível ou perda de amortecimento justificam a troca. Rotacionar pares e reservar tênis leves para provas ajudam a prolongar a vida útil. Não existe regra única para todos; o melhor termômetro continua sendo a combinação entre observação visual, sensação ao correr e monitoramento do uso.