Levantamento do Datafolha divulgado nesta sexta-feira (21) mostra que a governadora Raquel Lyra (PSD) amplia vantagem na disputa estadual ao conquistar 69% do eleitorado que se declara bolsonarista em Pernambuco, contra 22% para João Campos (PSB) — diferença de 47 pontos. A pesquisa também registra Lyra na liderança entre os eleitores que não se declaram nem bolsonaristas nem petistas, com 49%. Campos só aparece à frente entre eleitores petistas, com 52%, vantagem de 15 pontos neste segmento.

Os números expõem resultado direto de estratégias distintas. Lyra tem mantido postura de neutralidade em relação à disputa presidencial e busca votos tanto entre eleitores de Lula quanto do bolsonarismo local, enquanto Campos reforça publicamente o vínculo com o PT e tenta nacionalizar sua campanha, pressionando por um palanque de Lula antes do 1º turno para recuperar eleitores petistas.

O efeito prático é político: a pesquisa acende alerta para a campanha de Campos e complica a narrativa do PT no estado. Pernambuco foi reduto de Lula em 2022 — quase 67% contra 30% de Bolsonaro —, o que fazia do apoio petista um trunfo natural para o PSB. A atração de bolsonaristas e dos neutros por Lyra reduz esse ganho automático e força reavaliações táticas na oposição.

Para Campos e o PSB, o desafio é claro: depender apenas do carimbo petista pode não ser suficiente para deslocar a governadora. Já para Lyra, a posição de transversalidade é vantajosa, mas também a deixa vulnerável a aumentos de polarização que podem consolidar lealdades tradicionais. Em termos práticos, o levantamento amplia pressão sobre Lula a respeito do timing de sua participação e sobre alianças locais.

A pesquisa é retrato do momento, não previsão definitiva. Mas os dados do Datafolha entregam sinal político concret o: Lyra consegue fragmentar bases e obrigar adversários a repensar estratégias em Pernambuco, com repercussões na disputa regional e no tabuleiro que antecede 2026.