O governador Ratinho Junior (PSD) anunciou na noite de segunda-feira que escolheu o deputado federal Sandro Alex como candidato do partido ao governo do Paraná. Ex-secretário de Infraestrutura e Logística na gestão estadual, Sandro Alex cumpre o quarto mandato na Câmara e tem como principal base eleitoral a cidade de Ponta Grossa. A confirmação ocorre em um cenário em que o campo opositor já tem Sergio Moro colocado como principal nome na corrida.

A decisão pegou aliados de surpresa. Até então, o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), era visto como favorito para a vaga, mas pesquisas internas — segundo avaliação do grupo — não o apontavam competitivo frente a Moro. A escolha tardia e inesperada acelerou a saída de pré-candidatos do PSD: o ex-prefeito Rafael Greca foi para o MDB e o presidente da Assembleia, Alexandre Curi, filiou-se ao Republicanos, movimentos que alteram a capacidade do partido de projetar uma frente única.

Do ponto de vista político, a nomeação expõe custos e riscos para a estratégia do PSD. Ratinho havia articulado uma ambição nacional — cogitou lançar-se à Presidência pelo partido, mas desistiu em março para priorizar a disputa estadual — e agora precisa consolidar uma candidatura que até aqui não vinha como favorita. A escolha de Sandro Alex acende alerta sobre a necessidade de reaglutinar a máquina partidária e ampliar palanque para enfrentar o vigor eleitoral do adversário principal.

Além do desafio eleitoral, a movimentação interna tende a ter consequências institucionais e estratégicas para o partido no estado: a dispersão de pré-candidatos e as mudanças de legenda podem reduzir a capacidade de negociação e pressão por alianças. Para o PSD, a prioridade imediata será transformar a experiência administrativa de Sandro Alex em capacidade de campanha e frear a narrativa de fragmentação que a confirmação inadvertida ajudou a reforçar.