O apoio à redução da maioridade penal para 16 anos permanece majoritário no Brasil: 8 em cada 10 entrevistados dizem ser favoráveis, aponta pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (17). Embora a simpatia pela medida seja ampla, a opinião pública se fragmenta segundo a intenção de voto: 89% dos eleitores que declaram preferência por Flávio Bolsonaro apoiam a mudança, enquanto entre os que dizem votar em Lula o apoio cai para 70%.
O levantamento foi feito por entrevistas presenciais com 2.520 pessoas de 16 anos ou mais nos dias 13 e 14 de outubro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais no total da amostra e 3 pontos para questões políticas. Em relação ao último levantamento, realizado em junho, as variações ficaram dentro da margem de erro, sinalizando estabilidade no curto prazo; ainda assim, o apoio está em seu patamar mais baixo desde 2003.
Há nuances importantes por faixa etária e escolaridade: entre jovens de 16 a 24 anos a rejeição é maior (26%) — embora 73% desse grupo ainda seja favorável — e entrevistados com ensino superior exibem maior oposição relativa (22%). Politicamente, o resultado reforça a divisão ideológica sobre segurança: simpatizantes do PL mostram 93% de apoio, ao passo que entre os identificados com o PT o índice é 73%. Na campanha, o tema voltou à pauta após declaração de Lula favorável à redução em casos de crimes hediondos, enquanto o plano de Flávio prevê redução para 16 anos e cita hipóteses de 14 anos em trechos do programa.
Do ponto de vista político, a pesquisa acende alerta para estratégias de campanha. Para Lula, a posição sobre o tema precisa conciliar reação eleitoral e críticas de base; para Flávio e o PL, os números confirmam vantagem no tema da segurança junto ao eleitor conservador. Mais além do eleitorado, o levantamento traz implicações para o debate público e legislativo: a ampla maioria favorável pode pressionar por propostas mais duras, mas a tendência de aumento da rejeição observada desde 2006 indica que o tema não é estático e continuará sendo objeto de disputa política nas vésperas de 2026.