Segundo reportagem do The Wall Street Journal, a Mubi teria perdido cerca de 200 mil assinantes ao longo de 2025, fechando o ano com 1,2 milhão de contas — abaixo do patamar de início de ano e longe da meta de 2 milhões. A plataforma esperava captar 600 mil novos assinantes no segundo semestre, objetivo que não se concretizou, enquanto contabilizou um prejuízo de US$ 7,3 milhões.
O recuo ocorre em um cenário de desgaste reputacional após a divulgação da relação com a Sequoia Capital, que investiu US$ 100 milhões na empresa. Parte da base de assinantes reagiu negativamente ao fato de a Sequoia apoiar startups com contratos relacionados às forças armadas de Israel, gerando tensão entre posicionamento comercial e sensibilidade do público.
Ao mesmo tempo, a aquisição do filme 'Morra, Amor' por US$ 24 milhões e o subsequente desempenho fraco nas bilheterias — cerca de US$ 12 milhões mundialmente — aumentaram o custo da estratégia de conteúdo próprio. A Mubi afirma que o longa teve bom desempenho em sua plataforma e que registrou um número recorde de assinantes no último trimestre, mas os números consolidados levantam dúvidas sobre a escalabilidade e a gestão de risco nas aquisições.
O caso evidencia um dilema comum a serviços de nicho: concili ar financiamento agressivo e curadoria de prestígio com a necessidade de preservar confiança da audiência. Para investidores e gestores, a lição é clara: apoio financeiro robusto não garante crescimento automático se a governança de parcerias e a avaliação de riscos de conteúdo não acompanharem a ambição comercial.