Uma reunião entre delegações de Israel e Líbano em Washington foi classificada pelo chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, como uma oportunidade histórica, mas ele deixou claro que se trata apenas de um primeiro passo. Rubio afirmou que a intenção é esboçar a estrutura para uma paz duradoura, mas advertiu: o processo será longo e não se resolve em um dia.

Ao encontro, que reúne representantes diplomáticos e assessores dos EUA, participaram, entre outros, os embaixadores Nada Hamadeh Moawad (Líbano nos EUA) e Yechiel Leiter (Israel nos EUA), além de enviados americanos como Michel Issa, Mike Waltz e Michael Needham. O caráter raramente formalizado da relação entre os dois países — tecnicamente em guerra desde 1948 — torna o diálogo em Washington incomum e politicamente sensível.

A fragilidade do avanço diplomático ficou evidente em campo: o Hezbollah anunciou ataques a 13 alvos no norte de Israel desde o início das conversas, e Israel respondeu com bombardeios a subúrbios ao sul de Beirute, mesmo após alertas de evacuação. Um grupo de 25 países que apoia a Unifil expressou preocupação com a escalada e pediu que Israel evite atingir infraestruturas civis e respeite a soberania libanesa, sinalizando o risco humanitário e diplomático do confronto.

O esforço americano busca vincular a trégua no Líbano a um acordo mais amplo que envolva Teerã, enquanto Washington pressiona Tel Aviv a conter operações que poderiam minar uma possível negociação com o Irã. No terreno político libanês, a oposição do Hezbollah — que além de militar é força política e social relevante no país — torna qualquer compromisso frágil e sujeito a resistências internas. Em suma, o encontro em Washington gera expectativa, mas evidencia contradições e custos políticos que tornarão a construção de paz um processo longo e incerto.