A cidade do Rio de Janeiro volta a sediar uma semana de moda oficial depois de mais de uma década desde o fim de eventos como o Fashion Rio. A Rio Fashion Week estreia com 20 desfiles concentrados em sua maioria no Píer Mauá, e abre espaço nesta terça com a Osklen na antiga embaixada britânica. Os organizadores colocam na pauta não apenas a roupa, mas a ambição de recolocar a cidade no mapa do circuito fashion e estimular o turismo — um movimento que ganhou tração após concertos de grande porte na orla.

Oskar Metsavaht, à frente da Osklen, apresenta 36 looks que remetem à zona sul idealizada: seda, peças de praia e o contraste com calçado esportivo. A imagem projetada pelo desfile privilegia um Rio elegante e praiano, espécie de cartografia estética que dialoga com um público disposto ao consumo e à celebração do lifestyle carioca, ainda que esse retrato fique distante de problemas urbanos e desigualdades que marcam a cidade.

Além da Osklen, a grade traz nomes consolidados como Lenny Niemeyer, Misci, Salinas e Blue Man — que leva Helô Pinheiro à passarela — e marcas com propostas diversas, como Normando, Piet (em parceria com a Riachuelo) e Handred. Há ainda estreias apontadas como mais experimentais: Argalji, Hisha e Karoline Vitto, que reforçam a aposta em diversidade de linguagens e em novos públicos.

A curadoria, segundo a organizadora Olivia Merquior, seguiu um checklist pragmático: capacidade de gerar comunicação, atrair patrocinadores, novidade e potencial de exportação. Isso deixa claro o objetivo comercial do retorno. A dúvida que fica é se a iniciativa conseguirá equilibrar espetáculo e consistência de produto, convertendo visibilidade em negócios reais para as marcas, ou se o evento permanecerá mais como vitrine turística do que como motor sustentável para a indústria da moda carioca.