À medida que se aproxima o segundo aniversário das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024, a previsão de retorno do El Niño no segundo semestre reacende o sinal de alerta entre gestores estaduais e municipais. A perspectiva de chuvas mais intensas força uma aceleração de obras de reconstrução e medidas preventivas em áreas urbanas e rurais afetadas pela tragédia.
Em Porto Alegre, a prefeitura anunciou intervenção imediata na zona norte com investimento de R$ 30 milhões para proteger a região do Aeroporto Internacional Salgado Filho — cuja pista e parte do pavimento térreo chegaram a ficar submersos e pararam de operar por quase seis meses. O pacote prevê fechamento de galerias que escoam para o Rio Gravataí, construção de um dique de 100 metros e retenção temporária de água com uso de bombas flutuantes; a previsão de conclusão está concentrada no segundo semestre.
No plano estadual, o governador Eduardo Leite apresentou balanço das ações dos últimos dois anos e minimizou a ideia de que a presença do El Niño implique, por si só, repetição da catástrofe de 2023-24. Argumentou que frentes e bloqueios atmosféricos também foram decisivos, mas reconheceu que o fenômeno aumenta a probabilidade de eventos extremos, o que reforça a necessidade de obras preventivas e coordenação entre esferas de governo.
Os recursos provêm do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), que soma R$ 13,9 bilhões em valores pagos, empenhados e aprovados. Cerca de R$ 300 milhões foram destinados ao programa Desassorear RS: desde fevereiro de 2025 foram retirados 4,1 milhões de m³ de sedimentos, em 221 municípios, com serviços concluídos em 155 deles. A Sedur já concluiu batimetria em importantes trechos e a bacia do Taquari-Antas está 84% avançada. Apesar da escala dos investimentos, a velocidade dos trabalhos e a janela até o segundo semestre colocam pressão política sobre o governo e as prefeituras, que terão de transformar recursos em obras efetivas para reduzir risco e evitar novo custo humano e econômico.