A Sabesp informou aos investidores que estuda adquirir as ações remanescentes da Emae e incorporá‑la como subsidiária. A companhia já controla 98,04% das ações ordinárias da Emae após o movimento iniciado em outubro, quando comprou 74,9% do bloco de ações da Phoenix Água e Energia, do empresário Nelson Tanure, e 66,8% das ações preferenciais então detidas pela Eletrobras (hoje Axia Energia). O conjunto da aquisição custou R$ 1,13 bilhão e já teve aval do Cade e da Aneel em janeiro.
No comunicado, a Sabesp aponta que a incorporação busca simplificar e otimizar a estrutura societária e reduzir custos operacionais. Em caso de aprovação pelos conselhos e acionistas, os detentores de ações da Emae receberiam papéis da Sabesp em troca — relação que ainda será definida. A operação promete ganhos de eficiência, mas também concentra ativos estratégicos em uma única companhia controladora.
A Emae administra infraestrutura hidráulica e de geração de energia em São Paulo, incluindo os reservatórios Guarapiranga e Billings — importantes para parte do abastecimento atendido pela Sabesp — e cinco usinas com capacidade total de 961 MW, sendo o complexo Henry Borden o maior, com 889 MW. Transformá‑la em subsidiária estreita ainda mais a conexão entre gestão de recursos hídricos e operação energética sob o guarda‑chuva da estatal do saneamento.
Além dos argumentos de eficiência, a proposta reabre questões levantadas durante a compra inicial: havia disputas entre debenturistas e a Phoenix, e Tanure chegou a questionar a operação. Com as aprovações regulatórias superadas, o próximo foco será a definição da relação de troca e a resposta dos acionistas minoritários. Para além da redução de custos prometida, a incorporação impõe demanda por transparência sobre governança, impactos operacionais e safeguards para a gestão dos ativos hidroenergéticos.