A Sabesp pode ser multada nos próximos dias por ter pintado, sem autorização, o conjunto do Reservatório de Água da Vila Mariana — imóvel tombado pela prefeitura de São Paulo. Vistoria técnica do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) considerou a intervenção descaracterizadora e apontou possibilidade de danos de difícil reversibilidade. A penalidade proposta corresponde a 40% do valor venal, com opção de acordo via termo de ajustamento de conduta; a decisão será votada pelo Conpresp na segunda-feira (27).
Construído em 1914 e marcado por elementos que vão do art nouveau ao modernismo paulista, o conjunto inclui um reservatório circular mais antigo e uma torre de água dos anos 1960, referência local na Vila Mariana. No fim do ano passado, a Sabesp aplicou as cores e elementos de sua nova identidade visual — branco, azul, balões coloridos e logotipo — substituindo os tons anteriores de bege e concreto.
Em nota, a companhia defendeu a intervenção como medida para aumentar durabilidade, facilitar limpeza e melhorar visibilidade, além de afirmar que não houve alteração da alvenaria e que o material aplicado era adequado. O DPH, contudo, registrou que a pintura afetou a sobriedade do conjunto e que a operação foi invasiva, com potencial de comprometer especialmente a torre de concreto, onde ainda eram visíveis marcas originais das fôrmas de madeira.
O caso expõe a tensão entre ações de manutenção vinculadas a imagem institucional e as exigências de preservação impostas pelo tombamento. Além do risco financeiro, a Sabesp enfrenta desgaste institucional e a possibilidade de um precedente que reforce a fiscalização sobre intervenções em bens protegidos — inclusive após medidas semelhantes em reservatórios não tombados, como o inaugurado em Ubatuba. A deliberação do Conpresp servirá como termômetro para o limite entre conservação do patrimônio e iniciativas estéticas de empresas públicas.