Uma pesquisa do Datafolha realizada na cidade de São Paulo entre 5 e 13 de fevereiro coloca Santa Joana, Pro Matre e a Rede D’Or São Luiz à frente da lembrança do público das classes A e B na categoria maternidade, com índices próximos que configuram empate técnico. O levantamento ouviu 1.008 pessoas a partir dos 16 anos e tem margem de erro de três pontos percentuais. Os dados refletem a percepção de consumidores de maior poder aquisitivo, não o conjunto do sistema de saúde.

O movimento de preferência é alimentado por um contexto demográfico e clínico: a idade média ao primeiro filho no país gira entre 28 e 30 anos, segundo o IBGE, e o Ministério da Saúde registra crescimento expressivo dos partos em mulheres com mais de 35 anos — um aumento da ordem de 84% em duas décadas. Essas gestações de maior idade demandam monitoramento intensivo e equipes multidisciplinares, elevando o valor do serviço e estimulando diferenciais tecnológicos nas instituições privadas.

Na prática, as redes destacam soluções para reduzir riscos e aumentar a confiança das famílias: programas de contato prévio via mensageria com suporte automatizado que aciona profissionais, sistemas de rastreamento por pulseira eletrônica e protocolos que bloqueiam acessos em caso de alerta ao bebê, além de iniciativas de acolhimento no leito materno. A ênfase é dupla: reduzir complicações clínicas e melhorar a experiência para parentes e recém-nascidos.

O resultado da pesquisa expõe duas consequências políticas e de mercado. Primeiro, mostra como a demanda por serviços de alto risco pressiona investimentos privados em tecnologia e infraestrutura. Segundo, lembra a desigualdade do acesso: a preferência das classes A e B por estruturas sofisticadas contrasta com limitações do setor público, apontando pressão futura por regulação, custos e transferência de práticas caras para a cobertura mais ampla do SUS. Em suma, o envelhecimento da maternidade muda o perfil do atendimento e redefine competição entre hospitais.