A cidade turística de Santa Marta, na Colômbia, recebe a partir desta sexta-feira (24) a primeira cúpula mundial voltada ao abandono dos combustíveis fósseis. O evento, que se estende até quarta (29), reúne quase 50 países e tem início focado em sociedade civil, povos indígenas e ciência climática. O segmento de alto nível, com ministérios e diplomatas, está previsto para terça e quarta.

O governo colombiano, que exporta carvão e petróleo, diz que os participantes representam cerca de um quinto da produção global e quase um terço do consumo. A expectativa é lançar uma coalizão de produtores e consumidores comprometida com uma eliminação progressiva, mas a presença de Estados com interesses diversos eleva o risco de consensos diluídos, segundo especialistas.

A agenda climática chega em um momento de tensão geopolítica: a guerra no Irã e as ameaças ao estreito de Hormuz reacendem preocupações de segurança energética e pressionam oferta e preços. Analistas alertam que esses temas tendem a disputar espaço com as prioridades de redução de emissões nas negociações de alto nível.

Outras fragilidades do encontro: ausências notáveis — incluindo Estados Unidos, China, Arábia Saudita e Rússia — limitam o alcance prático das decisões, e a própria dinâmica interna do grupo pode reduzir ambição. Enquanto isso, dados recentes mostram que as emissões voltaram a crescer em 2025, o que torna urgente, porém mais difícil, converter retórica em medidas efetivas.