Na terça-feira, na Vila Belmiro, o esperado roteiro de festa pelo aniversário do Santos deu lugar a um resultado com sabores contraditórios. Pela segunda rodada da Copa Sul-Americana, competição que garante vaga na Libertadores, o time da casa saiu na frente com gol de Neymar, mas cedeu o empate ao Recoleta, time paraguaio que viajou de forma modesta e prioriza o campeonato local.

O gol do camisa 10 logo aos primeiros minutos alimentou a expectativa de goleada. Mas o visitante, pouco técnico e sem posse de bola prolongada, compensou com disposição e chegou ao pênalti convertido por Richard Ortiz — e o que poderia ser apenas mais uma tarde de festa transformou-se em um empate suado. Para o Recoleta, que nunca havia marcado fora do Paraguai, o tento tem caráter histórico.

A cena, porém, ganhou um traço melancólico: não havia torcida visitante no setor correspondente. Relatos em campo, inclusive da cobertura do SBT, confirmaram que a arquibancada do Recoleta estava praticamente vazia, apesar do feito dentro de campo. Uma curiosidade que reforça o contraste entre o significado esportivo do resultado e a ausência de celebração coletiva.

Ao fim da partida, o foco se deslocou para Neymar. Além de atuação aquém do esperado, houve confronto verbal com um torcedor — episódio registrado e repercutido nas redes — em que o jogador mandou o homem calar a boca e o tratou de forma pejorativa. Aos 34 anos, o atacante mantém a cruzada para convencer Carlo Ancelotti sobre sua condição para a seleção; gestos externos como esse não ajudam a narrativa.

Do ponto de vista santista, o empate representa perda de dois pontos em casa e acende dúvidas sobre consistência. Para o pequeno Recoleta, é um triunfo de moral, ainda que alcançado diante de um público ausente. A imagem da Vila, portanto, saiu menos festiva do que o esperado: golaço, história e constrangimento num único 1 a 1.