O governo de São Paulo abriu nesta semana um edital de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) voltado à preservação da araucária, espécie em declínio na paisagem paulista. A iniciativa concentra-se na zona de amortecimento do Parque Estadual da Serra do Mar, em Cunha, área que responde por cerca de 95% da coleta de pinhão no estado, segundo a Fundação Florestal.
O programa prevê repassar, ao longo de quatro anos, R$ 2,5 milhões para ações de plantio e conservação: a meta oficial é a implantação de cerca de 5.000 árvores. Serão atendidos até 55 produtores rurais, com pagamentos de até R$ 36 mil por beneficiário, além de repasses, somados, de até R$ 250 mil para organizações da sociedade civil envolvidas na preservação.
A secretaria responsável afirma que as mudanças climáticas e o aquecimento local são a principal ameaça à espécie, cujo ciclo e frutificação dependem de temperaturas mais baixas. O edital também busca corrigir um efeito adverso de políticas passadas: proprietários que temiam restrições deixaram de plantar araucárias, provocando envelhecimento das populações remanescentes e pouca reposição natural.
Do ponto de vista prático, o programa combina capacitação, compra de equipamentos e fiscalização semestral para acompanhar o cumprimento dos planos apresentados pelos produtores. Os pagamentos serão proporcionais ao serviço efetivamente prestado e ao número de árvores plantadas e conservadas, segundo o texto do edital e a Fundação Florestal.
Apesar de bem-vinda, a iniciativa tem alcance modesto diante da magnitude do desafio. R$ 2,5 milhões em quatro anos e 5.000 mudas podem não ser suficientes para reverter tendências climáticas e demográficas da espécie; há risco de que a ação seja percebida mais como simbólica do que estrutural. Para ter efeito político e ambiental real, o programa terá de ser escalado e integrador, com monitoramento robusto e incentivos claros à recomposição nas propriedades privadas.