A ausência de Hulk deixou no Atlético-MG um vácuo objetivo: o camisa 7 virou referência nacional em cobranças de falta desde 2021, com 17 gols, número que chega a ser 2,8 vezes superior ao segundo colocado. Metade desses gols veio de longa distância. Sem essa segurança, o time tem tentado alternativas e expõe uma dependência que agora pesa na avaliação técnica e tática da equipe.
No empate com o Botafogo e nas partidas recentes, Eduardo Domínguez acionou Maycon e Bernard para as bolas paradas. Além disso, o treinador citou erros em lances de área — uma sequência de falhas de Cassierra e Vitor Hugo nas tramas aéreas — como exemplo de que as oportunidades não vêm sendo aproveitadas. A solução, segundo ele, passa por ajuste coletivo, não por uma correção isolada.
Os números reforçam a necessidade de mudança: nos últimos dez jogos, o clube disputou três competições e somou apenas três vitórias, dois empates e cinco derrotas. Domínguez evitou atribuir os problemas a um único fator: para o técnico, há elementos físicos, de mobilidade e de leitura tática que se misturam e provocam faltas de efetividade, sobretudo nos momentos decisivos das partidas.
A incerteza nas bolas paradas e a rotina de resultados já projetam efeitos imediatos: cobrança da torcida, necessidade de adaptação rápida e risco de maior pressão interna. O calendário não facilita: o Galo volta à campo quarta-feira, às 21h30 (Brasília), contra o Ceará pela Copa do Brasil, e recebe o Mirassol no dia 16 de maio, às 18h30, pelo Brasileirão. Encontrar um cobrador confiável e recuperar consistência defensiva viram prioridades inerentes à próxima fase do trabalho de Domínguez.