Um estudo publicado online pela nference, ainda sem revisão por pares, relata que a semaglutida preserva melhor a massa corporal magra do que a tirzepatida. A análise incluiu cerca de 6.200 usuários de semaglutida e 1.800 de tirzepatida, e traz uma diferenciação que pode influenciar decisões clínicas e escolhas de pacientes diante da popularização desses fármacos para perda de peso.
Os dados apontam que a tirzepatida esteve associada a maior redução de massa magra: em média 1,1 ponto percentual a mais após três meses e 2 pontos percentuais a mais após 12 meses de tratamento contínuo. A avaliação foi feita com exames de baixa radiação e balanças que estimam composição corporal. Embora a tirzepatida tenda a promover maior perda total de peso, a pesquisa sinaliza que esse ganho pode vir acompanhado de maior atrofia de tecido magro em parcela dos pacientes.
O trabalho não explica por que ocorreu diferença entre os medicamentos; a tirzepatida combina efeitos sobre os hormônios GLP-1 e GIP, enquanto a semaglutida age apenas pelo GLP-1. Porta-vozes das fabricantes disseram que dados de ensaios clínicos não mostraram impacto funcional relevante (Novo Nordisk) e que as proporções de perda de gordura versus massa magra são semelhantes às observadas em mudanças de estilo de vida (Lilly). Pesquisadores também encontraram associação de maior perda de massa magra com doses mais altas, tratamento prolongado, dor musculoesquelética prévia e queda da tolerância ao exercício.
Para médicos, pacientes e gestores de saúde a mensagem é de cautela: os números reforçam que a escolha do fármaco não deve se basear só na máxima perda de peso. Monitoramento da composição corporal, orientação nutricional e prescrição de exercício são medidas essenciais para reduzir risco funcional, especialmente em pessoas com histórico musculoesquelético. Como se trata de um preprint, é necessária avaliação por pares e estudos adicionais antes de mudanças de política ou diretrizes.