Em declarações recentes, os ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia reconheceram o que pesquisas revelam: há um alto grau de desconfiança da sociedade em relação ao Supremo Tribunal Federal. O diagnóstico feito por dois nomes tradicionais da corte colocou na agenda pública a dimensão política e institucional do problema e forçou um debate que muitos magistrados vinham evitando.

Segundo os relatos, o desabafo de Fachin e Cármen Lúcia foi motivado tanto por episódios anteriores de interferência política — incluindo a ofensiva bolsonarista — quanto por condutas internas que abrem espaço para suspeitas, como as controvérsias em torno do chamado caso Master. A percepção pública de decisões e atitudes percepcionadas como arbitrárias aprofundou o desgaste do tribunal.

O ponto central da crítica é institucional: a corte precisa decidir se irá enfrentar a crise por meio de autocrítica, maior transparência e autocontenção no exercício do poder, ou se permanecerá dividida e resistente a mudanças. Fachin e Cármen Lúcia, reportados como isolados em seus posicionamentos, ilustram a falta de um consenso público que permita recuperar a credibilidade do Judiciário.

As consequências são práticas e políticas. A erosão da confiança no STF enfraquece seu papel de guardião do Estado de Direito e amplia o custo político de decisões controvertidas. Resta ao pleno da corte avaliar se assume a iniciativa de restaurar sua reputação — ou se deixará que a polarização e o tempo consolidem um dano institucional mais profundo.