Dados da PNAD Contínua divulgados pelo IBGE mostram que, em 2025, 20,2% da população do Sudeste vivia em apartamentos — ante 17,8% em 2024 —, o primeiro registro acima de 20% na série iniciada em 2016. O número representa cerca de 18 milhões de pessoas de um total regional de 88,8 milhões. No país, a proporção de moradores em apartamentos subiu de 13,3% para 15% no mesmo período; por outro lado, as casas seguem sendo maioria, mas recuaram de 86,5% para 84,8%, o menor nível da série.
O levantamento também traz contrastes regionais: o Norte permanece com a menor parcela em prédios (7%) e as capitais registram extremos — Vitória tem 46,7% de moradores em apartamentos, enquanto Campo Grande aparece com apenas 7,8%. Na capital paulista, 62,5% residem em casas e 37,4% em apartamentos. Esses recortes ajudam a mapear onde a verticalização avança com mais intensidade.
O analista do IBGE ouvido pela pesquisa atribui o fenômeno à busca por maior densidade nas grandes cidades e a fatores como percepção de segurança em condomínios. O mercado imobiliário, por sua vez, tende a explorar a oportunidade econômica ao substituir casas por edifícios em terrenos antes ocupados por poucas moradias.
A mudança de perfil residencial tem implicações práticas: concentração em prédios eleva a pressão sobre transporte, saneamento, saúde e serviços locais, além de exigir revisão de normas urbanísticas e decisão fiscal por parte dos municípios. Entre 2016 e 2025, o número de moradores em apartamentos cresceu 36,1% no país (de 23,5 milhões para 32 milhões) e 27,9% no Sudeste (14 milhões para 18 milhões), enquanto o contingente em casas praticamente estagnou no Brasil e caiu no Sudeste, sinalizando uma transformação na ocupação do solo que autoridades e gestores públicos precisarão enfrentar.