Pesquisa do Datafolha aponta a Suíça como principal destino de inverno para brasileiros, com 11% das menções, seguida pelo Chile, com 9%. Considerando a margem de erro de três pontos, os dois países ficam tecnicamente empatados, transformando a disputa em uma questão de posicionamento e oferta, não apenas de preferência imediata.
O caso suíço se apoia em imagem de sofisticação: museu em Genebra ligado a um autor brasileiro, inaugurações e reformulações de teleféricos e torres panorâmicas nos Alpes, e reaberturas de hotéis históricos e boutiques — do Grand Hotel Belvedere em Wengen a empreendimentos que atraem público de alto gasto. A estratégia privilegia qualidade e experiência, com crescimento recente das chegadas e pernoites de brasileiros.
O Chile, por sua vez, aposta na proximidade e na variedade: em 2025 recebeu cerca de 6 milhões de turistas estrangeiros, dos quais 681 mil eram brasileiros, com grande concentração de visitas em Santiago. Novas atrações urbanas, como o teleférico do Cerro San Cristóbal, e ações promocionais em feiras e workshops no Brasil mostram esforço oficial para ampliar o fluxo e diversificar destinos, incluindo a Patagônia.
O empate técnico expõe dois modelos com consequências distintas para operadores e políticas públicas. A Suíça mira aumento do gasto médio e turismo de nicho; o Chile busca escala e penetração de mercado. Para o Brasil, a competição reforça oportunidades, mas também desafia empresas a ajustar ofertas e preços. Do ponto de vista público, há margem para incentivar roteiros regionais e melhorar conectividade, especialmente onde a concentração de visitas ainda concentra benefícios em poucas cidades.