A 3ª Vara Cível do Tatuapé, em São Paulo, concedeu liminar proibindo a Behave ABA — clínica multidisciplinar especializada em atendimento a pessoas com TEA — de atender beneficiários dos planos da SulAmérica. A decisão também autoriza a operadora a negar pedidos de reembolso referentes a atendimentos da clínica e determina que os pacientes sejam transferidos para a rede credenciada no prazo de 60 dias.

Na ação, a SulAmérica afirma ter identificado movimentações irregulares da ordem de R$ 11 milhões entre 2022 e 2025, com atendimentos que, segundo a operadora, não teriam correspondência em realidade clínica razoável. O juiz Luiz Fernando Nardelli considerou haver “fortes indícios de irregularidades” e determinou ainda que a própria clínica comunique os beneficiários sobre a proibição, sem prejuízo de eventual investigação criminal.

A defesa da Behave, representada pelo advogado Marcelo Válio, classifica a iniciativa da operadora como estratégia para evitar reembolsos a clínicas especializadas e forçar famílias a recorrerem à rede credenciada — que, segundo ele, oferece atendimento “sofrível”. Válio também acusa a SulAmérica de adotar práticas de investigação genéricas (o chamado 'fishing') e de perseguir pacientes, e contesta a forma como o montante de R$ 11 milhões foi calculado.

Em nota, a SulAmérica disse não comentar processos sob segredo de justiça, mas reafirmou que sua rede credenciada reúne profissionais selecionados e que a companhia combate fraudes. A operadora informa ter protocolado mais de 850 notícias‑crime nos últimos dois anos, movido cerca de 500 ações e identificado R$ 237 milhões em fraudes apenas em 2025. O caso dá sinais claros de que a disputa entre operadoras e clínicas especializadas tende a avançar no Judiciário, com efeitos práticos sobre o acesso a tratamentos e pressões sobre a oferta privada de cuidados para pessoas com TEA.