As chamadas terras raras, apesar do nome, não são necessariamente escassas: são 17 elementos — 15 lantanídeos mais escândio e ítrio — que aparecem dispersos na crosta terrestre e são fundamentais para tecnologias de ponta. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB) e dados do USGS citados pelo SGB, o país detém cerca de 21 milhões de toneladas, ou cerca de 23% das reservas globais. As principais concentrações estão em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe, o que torna o tema relevante tanto para o desenvolvimento regional quanto para a estratégia nacional.
Além das terras raras, o Brasil ocupa posição de destaque em outros minerais estratégicos e críticos: lidera as reservas globais de nióbio (94%), é segundo em grafita (26% das reservas) e terceiro em níquel (12%). O Ministério de Minas e Energia consolidou uma lista de minerais estratégicos em 2021, dividida entre itens a serem importados, matérias‑primas para alta tecnologia e aqueles em que o país tem vantagem comparativa. A classificação deixa claro que lítio, cobalto, grafita, nióbio e terras raras entram na agenda de segurança econômica e industrial.
O quadro internacional ressalta a urgência: a China domina hoje o refino e a produção comercial de terras raras, concentrando capacidade que vai além da mineração. Para o Brasil, ter a matéria‑prima é condição necessária, mas não suficiente. Especialistas apontam que o salto estratégico passa por refino, processamento e integração em cadeias industriais — etapas em que há capital, tecnologia e coordenação pública‑privada a ser mobilizados — sob risco de o país se limitar à exportação de minério bruto, perdendo renda e empregos de maior valor agregado.
Da perspectiva política e econômica, a situação exige uma estratégia clara: políticas industriais que atraiam investimentos em processamento, infraestrutura logística e regimes regulatórios que acelerem licenciamentos sem abrir mão de padrões socioambientais. Sem isso, a janela geopolítica aberta pela transição energética e pela busca global por fornecedores alternativos à China pode ser desperdiçada. A oportunidade existe; a questão é se o país terá visão de Estado para transformar recurso em vantagem competitiva.