O Tottenham vive um momento excepcionalmente crítico: sem vitória no Campeonato Inglês em 2026 — 15 jogos desde janeiro, com nove derrotas e seis empates — a equipe caiu para a zona de rebaixamento. Em consequência direta, a direção abriu uma vaga para psicólogo de performance, anunciada nas redes do clube, enquanto o treinador Roberto De Zerbi aponta para um “problema de mentalidade” no elenco. A combinação de números ruins e a procura por ajuda psicológica expõe um time que já não apenas perde resultados, mas também confiança.
A iniciativa é compreensível, mas chega tarde. Faltando apenas cinco rodadas para o fim da competição, a expectativa de uma correção instantânea é irrealista: o trabalho psicológico costuma produzir efeitos em semanas ou meses, não em dias. Há precedentes no futebol que ilustram limites e possibilidades. Richarlison, citado no material-base, recorreu à terapia em 2023 e afirmou sentir melhora; por outro lado, a convocação emergencial de uma psicóloga para a seleção brasileira em 2014 não impediu o colapso do time naquele Mundial.
A opção do Tottenham reflete, acima de tudo, uma gestão em situação reativa. Se um profissional trouxer resultados rápidos, será comemorado e a imprensa tentará dissecar métodos; se falhar, a medida ficará como mais um sintoma de desorganização. Para os torcedores e para o mercado, a contratação tardia cria uma narrativa incômoda: a do clube que procura remédios imediatos para problemas estruturais que incluem sequência de treinadores e desgaste coletivo.
Confiança é, de fato, parte essencial do desempenho esportivo. Mas não é remédio único nem substituto de ajustes táticos, reforços de elenco ou de um planejamento mais coerente. O desafio do Tottenham, com cinco jogos para evitar um destino que seria histórico e traumático, exige decisões que transcendam soluções pontuais: falta união de método, tempo e, possivelmente, paciência para que intervenções psicológicas realmente façam diferença.