O Tribunal Arbitral da FGV determinou o afastamento temporário de John Textor da administração da SAF do Botafogo, em decisão que será reavaliada na próxima quarta-feira (29), quando as partes poderão se manifestar. Os três árbitros entenderam que medidas recentes atribuídas ao empresário têm “potencial de causar danos irreparáveis” aos acionistas e à comunidade de torcedores, fundamento que motivou a medida cautelar.
Entre as ações citadas pelo tribunal está o pedido de recuperação judicial da SAF protocolado em 21 de maio, movido em meio a uma dívida declarada de R$ 2,5 bilhões. O afastamento atendeu a um pedido da Eagle Bidco, acionista majoritária da SAF — empresa que, segundo o material-base, está sob administração judicial na Inglaterra e busca vender sua participação no clube.
A SAF publicou nota criticando a intervenção arbitral, afirmando que a decisão “avança sobre matéria tipicamente societária” e substitui a deliberação dos acionistas, que, segundo o comunicado, deve ocorrer em assembleia regular. Na prática, a diretoria provisória nomeou Durcesio Mello, ex-presidente do clube social, como diretor geral; Danilo Caixeiro, chefe operacional, segue na hierarquia imediatamente abaixo de Textor no organograma.
Textor afirmou confiar na revisão da decisão e alegou que informações apresentadas pelos advogados do fundo Ares teriam induzido os árbitros a erro. O conflito envolve empréstimos do Ares para a compra do Lyon, garantidos por ações da SAF; com a inadimplência, o fundo passou a tomar decisões na Eagle, holding que reunia os clubes. A disputa judicial e as medidas de reestruturação, especialmente tentativas de limitar o direito de voto da Eagle sem assembleia, foram citadas pelo tribunal como violação das regras de governança.
O afastamento abre uma fase de maior incerteza institucional e financeira para o Botafogo: arbitragens, contestações judiciais e anúncios públicos podem complicar negociações com credores, potenciais compradores e mesmo a rotina do clube. A próxima audiência, em que a decisão pode ser mantida ou revertida, será decisiva para o comando da SAF e para a clareza sobre quem de fato controla as decisões estratégicas e financeiras do clube.