O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a ameaçar Jerome Powell, atual chefe do Federal Reserve, afirmando que o demitirá caso Powell não saia do cargo depois da posse do sucessor. Powell tem mandato até 15 de maio e já declarou que não pretende deixar a presidência antes do término do mandato. A declaração foi dada em entrevista à Fox Business e reacende uma disputa que mistura calendário político e independência do banco central.
A indicação de Kevin Warsh para suceder Powell, feita pelo próprio Trump em janeiro, tem encontrado resistência e atraso. O comitê bancário do Senado marcou a audiência de confirmação para 21 de abril, após demora na entrega dos documentos financeiros do indicado. Relatórios, citando o New York Times, apontam ativos de cerca de US$ 100 milhões, incluindo grandes posições no Juggernaut Fund e compromissos de pagamento ligados a gestores de mercado; Warsh prometeu desinvestir ativos conflitantes se confirmado.
O processo ganhou ainda mais complexidade porque o Departamento de Justiça conduz investigação sobre a gestão de Powell na reforma da sede do Fed, fato usado pelo presidente para criticar a competência do atual mandatário. Além disso, análises jurídicas e jornalísticas indicam que Powell pode permanecer na presidência se não houver sucessor confirmado pelo Senado e que pode exercer mandato como integrante do conselho até 2028, circunstância que altera o cálculo político dos atores envolvidos.
A escalada verbal de Trump e os atrasos na confirmação de Warsh expõem um nó institucional: a sucessão do Fed transforma‑se em disputa política, com potencial de aumentar a incerteza sobre a liderança da política monetária. Para o governo e para o Senado, a situação exige ritmo e estratégia — tanto para respeitar normas de ética e transparência quanto para evitar desgaste adicional sobre a credibilidade do banco central.