A ordem do presidente Donald Trump para bloquear o trânsito de embarcações ligadas ao Irã no estreito de Hormuz entrou em vigor às 11h (horário de Brasília) desta segunda-feira (13) e praticamente cessou o já reduzido fluxo na via. Antes do conflito, a passagem chegava a escoar cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do comércio global; desde então o tráfego vinha caindo e, segundo monitores, navios deram meia-volta ao tentar a travessia.
Fontes de monitoramento marítimo apontam discrepâncias nos números divulgados pelo governo americano: Trump afirmou que dezenas de navios passaram no domingo, enquanto plataformas como a Kpler e o MarineTraffic registram uma paralisação ampla, com cerca de 1.600 embarcações estacionadas nos dois lados do estreito. A interrupção ocorre após o Irã criar uma rota por águas territoriais próprias e cobrar taxa em criptomoedas sobre cargas que transitam pela área.
A Marinha sob o Comando Central dos EUA disse que interceptará navios que se dirijam a portos iranianos, mas afirmou também que o bloqueio não impede trânsito 'neutro' para destinos não iranianos — distinção operacional que, na prática, exige fiscalização intensa: embarcações são avisadas por rádio, podem ser abordadas por lanchas e helicópteros e até apreendidas; o uso da força é previsto em casos extremos. Trump chegou a publicar que qualquer ataque iraniano a embarcações americanas seria duramente retribuído.
A iniciativa traz implicações políticas e econômicas claras. Legalmente, a ação é controversa porque ocorre num momento de trégua entre EUA e Irã, o que fragiliza o enquadramento internacional. Diplomatas europeus, até aqui, rejeitaram o bloqueio e evitam envolvimento ofensivo; líderes como o premiê britânico reiteraram que não participarão de missões agressivas. No campo econômico, a restrição tende a aumentar prêmios de risco, custos de seguros e pressionar rotas alternativas, além de complicar a estratégia americana de se distanciar do conflito que ajudou a escalar.