O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou neste domingo (12) a ordem para um bloqueio naval ao Irã, depois de negociações de cerca de 20 horas em Islamabad que fracassaram sobre o programa nuclear iraniano. O Comando Central americano informou que, a partir das 11h de segunda (13), executará o bloqueio contra todo navio que entre ou saia de portos iranianos, mantendo porém passagem para embarcações que cruzem o estreito com origem ou destino não iraniano.

Trump justificou a medida acusando o Irã de praticar “extorsão global” ao cobrar um suposto pedágio pela livre circulação no estreito de Hormuz e prometeu que a Marinha dos EUA interceptará embarcações que tenham pago tal valor. Em entrevista, o presidente também afirmou poder atingir usinas e outras infraestruturas energéticas iranianas se não houver acordo — declaração que eleva o tom da confrontação sem oferecer detalhes operacionais.

A Guarda Revolucionária iraniana respondeu dizendo ter o tráfego em Hormuz “sob controle” e advertiu que qualquer movimento errado resultaria em um “vórtice mortal”. O comando também afirmou que considerará aproximações militares uma violação do cessar-fogo firmado dias antes. No plano diplomático, o vice-presidente J. D. Vance, à frente da delegação americana, disse que o Irã rejeitou a proibição de buscar armas nucleares, principal ponto de ruptura nas negociações.

A iniciativa expõe consequências concretas: amplifica o risco de escalada militar na região, eleva a incerteza sobre o transporte de petróleo por uma rota estratégica e impõe custo político a Washington, que precisará articular apoio de aliados. A menção a tarifas de 50% contra países que armem o Irã, inclusive a possibilidade de mirar a China, amplia a dimensão econômica da disputa. A ofensiva americana acende alerta sobre necessidade de clareza jurídica e coalizões regionais para evitar um choque que pode repercutir no mercado e na política externa dos EUA.