O presidente dos EUA afirmou neste sábado que o Irã não conseguirá chantagear Washington depois do anúncio de que Teerã teria reaberto e em seguida fechado novamente o estreito de Hormuz. A declaração foi feita após a assinatura de decretos na Casa Branca; além do comentário do mandatário, o governo americano não detalhou medidas imediatas.

Relatos reunidos por agências apontam que a Guarda Revolucionária iraniana abordou embarcações e disparou contra navios que transitavam pelo canal estratégico. A agência Reuters e a UKMTO registraram incidentes: ao menos duas embarcações relataram tiros, um navio de contêineres sofreu dano na carga e houve abordagem por barcos iranianos — sem feridos reportados.

O episódio torna mais frágil o quadro das negociações em curso. Autoridades iranianas disseram ter recebido novas propostas dos EUA, segundo o Conselho Supremo de Segurança, mas afirmaram que os negociadores não fariam concessões. Diplomatas também relativizam a possibilidade de avanço imediato, citando dificuldades logísticas para encontros esperados em Islamabad, onde o Paquistão atua como mediador.

A tensão no estreito, rota vital para petróleo e comércio, tem implicações concretas: aumenta o risco para companhias de navegação, eleva prêmios de seguro e pode encarecer cadeias de abastecimento. Politicamente, complica a narrativa de ambos os lados — para Washington, acentua a pressão por resultados; para Teerã, funciona como instrumento de barganha, segundo analistas.

Além da escalada naval, a retórica iraniana segue firme: o líder supremo declarou que a marinha está pronta para infligir derrotas a inimigos. Trump, por sua vez, voltou a dizer que a trégua pode não ser estendida e insinuou que ações militares poderiam ser retomadas se não houver avanço, cenário que amplia a incerteza sobre a duração do cessar‑fogo.