Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a prorrogação por três semanas do cessar‑fogo entre Israel e Líbano após nova rodada de negociações realizada na Casa Branca. O encontro reuniu vice‑presidente, secretário de Estado e os embaixadores dos EUA em Israel e no Líbano. Trump afirmou que os EUA trabalharão com Beirute para ajudá‑lo a “se proteger do Hezbollah” e disse esperar um encontro próximo entre o premiê Binyamin Netanyahu e o presidente libanês Joseph Aoun.

A reunião aconteceu um dia após ataques israelenses que mataram pelo menos cinco pessoas no Líbano —entre elas a jornalista Amal Khalil, segundo autoridades libanesas e o jornal Al‑Akhbar—, o dia mais letal desde o início da trégua em 16 de abril. Embora o cessar‑fogo tenha reduzido a curva da violência, ofensivas pontuais persistem, em especial no sul libanês, onde tropas israelenses permanecem a 5–10 km da fronteira.

As posições continuam distantes: o Hezbollah afirma ter “direito de resistir” à ocupação; Jerusalém cobra o desmantelamento do grupo e a criação de condições para um acordo de paz. Beirute, representado pela embaixadora Nada Moawad, busca extensão da trégua e o fim das demolições em vilarejos do sul, além de avanços sobre retirada, libertação de detidos e definição de fronteira —itens que o governo libanês diz querer resolver sem negociações diretas entre as partes armadas.

Politicamente, a mediação americana compra tempo, mas revela limites práticos: a continuidade de ataques e a morte de civis durante a trégua acendem alerta sobre a fragilidade do acordo. A presença do Hezbollah como força armada e ator parlamentar transforma qualquer solução exclusivamente militar em inviável, pressionando Washington e Tel Aviv a negociar uma saída política que enfrente a complexa teia sectária e social do Líbano.