O governo do presidente Donald Trump renovou por cerca de um mês uma isenção do Departamento do Tesouro que autoriza países a comprar petróleo russo e derivados embarcados no mar até 16 de maio. A medida substitui uma autorização de 30 dias que havia expirado em 11 de abril e mantém exclusões explícitas para transações envolvendo Irã, Cuba e Coreia do Norte.

Oficialmente, a decisão busca preservar oferta e controlar a escalada dos preços globais de energia em um momento de forte tensão no Oriente Médio. Um porta-voz do Tesouro justificou a extensão afirmando que o objetivo é garantir fornecimento enquanto as negociações com o Irã avançam. A medida também responde a apelos de compradores asiáticos e de parceiros que vêm pedindo alternativas para mitigar o choque de oferta.

A renovação, porém, suscitou reações adversas no Congresso e entre aliados. Parlamentares de ambos os partidos alertaram que as isenções podem reduzir a pressão econômica sobre Moscou e comprometer o esforço ocidental de privar a Rússia de receitas para financiar a guerra na Ucrânia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já declarou que não é hora de afrouxar sanções. Do lado russo, o enviado Kirill Dmitriev afirmou que a extensão afetará outros 100 milhões de barris, elevando a cifra combinada a cerca de 200 milhões de barris sob ambas as autorizações.

O anúncio ocorre em contexto de volatilidade: os preços do petróleo caíram 9% numa sexta-feira recente, para cerca de US$ 90 o barril, após a reabertura temporária do estreito de Hormuz. A Agência Internacional de Energia descreveu a crise como a maior interrupção de fornecimento da história, com mais de 80 instalações atacadas na região. No plano doméstico, a decisão expõe Trump a críticas por tomar uma medida vista como conivente com interesses de adversários externos, ao mesmo tempo em que atende a parceiros preocupados com a inflação energética e os riscos eleitorais às vésperas das eleições de meio de mandato.