Após uma paralisação realizada na terça-feira (14), estudantes da Universidade de São Paulo começaram a votar, curso a curso, a realização de uma greve. Na noite de quarta (15), uma assembleia convocada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), realizada no vão da FFLCH, aprovou por unanimidade a sua estruturação. Centenas de graduandos participaram da reunião, mas a decisão ainda precisa ser ratificada nas assembleias das unidades — a Each e a Faud já aprovaram a paralisação.

As pautas centrais dos alunos são o aumento das bolsas de permanência e a melhoria das condições dos restaurantes universitários. Nas últimas semanas, denúncias sobre refeições estragadas, incluindo relatos de presença de larvas em alimentos servidos, ganharam repercussão especialmente na Faculdade de Direito; os serviços alimentares são terceirizados, fato que alimenta a insatisfação estudantil e a exigência por fiscalização e contratos mais rígidos.

O movimento estudantil se soma a uma greve dos servidores técnico-administrativos deflagrada também na terça (14). A interrupção das atividades foi provocada inicialmente pela aprovação, em 31 de março, da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace), que prevê pagamento adicional de R$ 4.500 a professores em projetos considerados estratégicos. Segundo a reitoria, a medida busca valorizar a carreira docente; o custo estimado à instituição é de R$ 238,44 milhões por ano — o que tornou o debate sobre prioridades orçamentárias central na crise.

A mobilização conjunta de estudantes e servidores coloca a reitoria do reitor Aluisio Segurado em posição delicada: é preciso conciliar a promessa de valorização docente com demandas por isonomia e atenção à permanência estudantil. A gestão anunciou aumentos de benefícios aos servidores e afirmou estudar propostas para a carreira técnico-administrativa, mas os alunos afirmam que só encerrarão a mobilização com conquistas concretas. Nos próximos dias, as votações por faculdade definirão se a adesão à greve será ampla e qual será o impacto acadêmico e institucional da paralisação.