A Semana de Vacinação nas Escolas, que começou na sexta-feira (24) e vai até quinta (30), tem meta oficial de atualizar a caderneta de 27 milhões de estudantes da rede pública. A iniciativa atende crianças e adolescentes de 9 meses a 15 anos e oferece seis imunizantes: HPV, febre amarela, tríplice viral, tríplice bacteriana (DTP), meningocócica ACWY e covid-19. A estratégia também prevê completar a vacinação contra o HPV em jovens de 15 a 19 anos que ainda não receberam as doses.

A imunização é feita por equipes de saúde nas próprias unidades escolares, mediante autorização de pais ou responsáveis. A ação integra o Programa Saúde na Escola (PSE), fruto de parceria entre os ministérios da Saúde e da Educação. O governo reforça o uso da Caderneta Digital de Vacinação da Criança, lançada em abril de 2025 e com mais de 3,3 milhões de acessos; o aplicativo Meu SUS Digital agora envia lembretes automáticos para ajudar famílias a acompanhar próximas doses.

O Ministério da Saúde destaca uma recuperação nas coberturas após a queda observada nos anos anteriores, agravada pela pandemia. Segundo a pasta, a tríplice viral subiu para 92,96% em 2025 (eram 80,7% em 2022); a vacinação contra o HPV alcançou 86,11% entre meninas de 9 a 14 anos e 74,46% entre meninos; e a meningocócica ACWY avançou de 45,8% para 67,75% no mesmo período.

Apesar dos ganhos, especialistas e gestores ainda encaram desafios práticos: elevar coberturas em grupos e regiões onde a adesão permanece baixa, garantir logística e suprimentos nas escolas e superar a dependência de autorizações parentais. A meta de 27 milhões é ambiciosa e exigirá coordenação sustentada entre setores. Politicamente, a recuperação vacinal pode fortalecer a narrativa de retomada dos serviços públicos, mas a manutenção das melhorias dependerá de continuidade operacional e monitoramento, não apenas de campanhas pontuais.