O volume de vendas do comércio varejista cresceu 0,6% em fevereiro na comparação com janeiro, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE. Com o resultado, o setor renovou o recorde registrado no mês anterior para a série que começa em 2000, numa sinalização de retomada pontual do consumo.
O indicador de média móvel trimestral avançou 0,2% no trimestre encerrado em fevereiro, refletindo sequência de resultados positivos iniciada no fim do ano passado. O gerente da PMC, Cristiano Santos, ressaltou que a passagem de dezembro para janeiro teve alta de 0,4% e que dezembro foi o único mês negativo nos últimos seis, o que explica parte da oscilação recente.
Quatro das oito atividades pesquisadas registraram crescimento: livros, jornais, revistas e papelaria (2,4%); combustíveis e lubrificantes (1,7%); hipermercados e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,1%); e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,3%). Em contrapartida, equipamentos e material para escritório, informática e comunicação recuaram 2,7%, enquanto outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,6%), tecidos, vestuário e calçados (-0,3%) e móveis e eletrodomésticos (-0,1%) apresentaram queda.
O quadro indica uma recuperação concentrada em itens essenciais e combustíveis, segmentos com peso elevado no agregado do varejo. Esse padrão reduz a transmissão do crescimento para indústria de bens duráveis e para o emprego formal no comércio especializado, ao mesmo tempo em que preserva receita nominal do setor. Para além do alívio momentâneo, a evolução futura dependerá da sustentação da demanda por bens não essenciais e do comportamento do rendimento real e do crédito.