A atividade do comércio físico cresceu 3,3% em março na comparação com fevereiro, segundo o Indicador de Atividade do Comércio da Serasa Experian. O resultado foi impulsionado por folga nas vendas de veículos, motos e peças, que avançaram 12,2%, e por combustíveis e lubrificantes, com alta de 5,1%. Em sentido oposto, supermercados registraram queda de 1,0% e o setor de vestuário caiu 0,9%, puxando parte do indicador para baixo.
Especialistas da Serasa destacam que o movimento não é homogêneo: o ganho concentra-se em bens duráveis cuja decisão de compra costuma depender de financiamento, enquanto segmentos ligados ao consumo cotidiano seguem pressionados. No caso dos combustíveis, a escalada de preços internacional — associada a tensões no Oriente Médio — levou consumidores a antecipar aquisições, contribuindo temporariamente para a alta.
Na comparação anual, o indicador subiu 3,9% em relação a março de 2025, mas o número merece cautela por efeitos de calendário: o Carnaval em 2025 caiu em março e diminuiu dias úteis naquele período. Veículos também lideram no recorte de doze meses, com expansão relevante. Ainda assim, o padrão que se desenha é de recuperação parcial e setorial, não de retomada ampla do consumo.
O quadro traz implicações claras para empresas e formuladores de políticas: uma alta dependente de crédito e de fatores pontuais de preço tem alcance limitado sobre emprego e receita tributária. Com famílias endividadas, juros elevados e crédito mais restrito, a dispersão do crescimento entre setores indica que a retomada do varejo pode demorar a se traduzir em ganhos econômicos mais generalizados.