O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta quarta que a volta da Venezuela ao Mercosul precisa ser rediscutida pelos integrantes do bloco. "A Venezuela está suspensa do Mercosul, mas à medida que está vivendo outro momento agora, isso será rediscutido", disse ele em entrevista a agências internacionais. A suspensão do país no Mercosul remonta a 2017, sob a justificativa de violação da cláusula democrática, e o retorno depende da aprovação unânime de Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai.

Alckmin colocou o tema no âmbito de uma agenda mais ampla de relações externas. Segundo o vice-presidente, instituições internacionais teriam retomado contatos com a liderança venezuelana, o que, na avaliação dele, torna legítimo debater a reintegração. Ele também citou o interesse da Colômbia em participar do bloco e lembrou que a Bolívia avança em processo de adesão às regras do Mercosul, fatores que aumentam a complexidade política da decisão.

Além da pauta diplomática, Alckmin destacou impactos econômicos. Com o tratado Mercosul-União Europeia em início parcial a partir de 1º de maio, o vice-presidente estimou aumento de 13% nas exportações do Brasil ao longo do tempo e ganho de até 26% para o setor industrial. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex) apontou possibilidade de incremento de até US$ 1 bilhão na balança já no primeiro ano, enquanto estudo do Ipea projeta aumento de 0,46% no PIB entre 2024 e 2040 — estimativa equivalente a cerca de US$ 9,3 bilhões.

O cenário exige articulação: a exigência de unanimidade no Mercosul transforma qualquer proposta de reintegração em tema sensível, capaz de tensionar relações regionais e cobrar compromissos políticos e econômicos das partes. Para o governo, a rediscussão abre espaço para negociação, mas impõe a necessidade de construir maior consenso entre parceiros que têm visões divergentes sobre segurança democrática e regras comerciais. Alckmin também mencionou negociações em curso com Emirados Árabes Unidos e Canadá, possíveis sinais de que Brasília busca ampliar alternativas comerciais enquanto costura acordos diplomáticos na América do Sul.