O canal Explosive Media, que ganhou audiência nos últimos meses com animações em estética de brinquedo sobre a guerra no Oriente Médio, teve sua conta suspensa do YouTube em 27 de março. A plataforma informou, segundo a AFP, que a ação se deu por violação de regras relativas a spam, práticas enganosas e golpes, sem detalhar quais conteúdos motivaram a remoção. Perfis vinculados ao grupo continuam ativos em outras redes, com destaque para o X, onde reúnem cerca de 60 mil seguidores.

As produções, muitas geradas por inteligência artificial e com legendas em inglês, se tornaram um formato viral de propaganda pró-Irã, projetadas para público ocidental. Os vídeos apresentam o país frequentemente como vítima da "agressão" de EUA e Israel e transformam figuras como Donald Trump em alvo de zombaria, retratando-o como marionete ou líder incapaz. Materiais também exploraram temas sensíveis nos EUA e críticas a aliados do Golfo, ampliando a circulação por meio de trilhas e textos em inglês.

A identidade do grupo é nebulosa. Seus responsáveis afirmam ser estudantes iranianos da geração Z e negam vínculos formais com o governo, mas o suposto criador, que se intitula "Mr. Explosive", disse à BBC que Teerã foi um dos "clientes". Vários vídeos foram republicados por perfis oficiais de embaixadas e autoridades iranianas, e o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores classificou a suspensão como tentativa de "suprimir a verdade" sobre o conflito.

O caso ilustra o dilema que plataformas enfrentam ao moderar conteúdos ligados a narrativas de guerra: agir pode ser interpretado como censura por regimes e seus simpatizantes; não agir deixa ampliar-se a difusão de propaganda e possível desinformação. A falta de transparência do YouTube sobre os motivos específicos da suspensão tende a alimentar críticas e complica a prestação de contas sobre decisões que mexem com geopolítica, opinião pública e segurança informacional.